quinta-feira, 24 de abril de 2025

Psicanálise e o Vício em Jogos do Tigrinho: Quando a Recompensa Imediata Esconde um Vazio Maior

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Psicanálise e o Vício em Jogos do tigrinho: psicólogo Daniel Nascimento CRP 03/32350



Psicanálise e o Vício em Jogos do Tigrinho: Quando a Recompensa Imediata Esconde um Vazio Maior

           Por Daniel Nascimento - Psicólogo CRP 03/32350

Nas últimas semanas, o chamado "jogo do Tigrinho" — uma modalidade de apostas online que simula caça-níqueis — tem dominado manchetes e redes sociais. Com promessas de ganhos rápidos e constantes estímulos visuais e sonoros, esse tipo de jogo se torna extremamente atrativo. Mas o que está por trás dessa compulsão? Como a psicanálise pode nos ajudar a compreender esse comportamento?

A lógica do jogo do Tigrinho é simples: aposte pouco, ganhe muito. No entanto, o sujeito acaba entrando em um ciclo de tentativa e frustração, movido por um desejo de completude que nunca se realiza. O ganho momentâneo funciona como uma "injeção de gozo", mas logo se esgota, deixando em seu lugar uma angústia que clama por repetição.

Freud, ao estudar o princípio do prazer, já nos alertava sobre a busca incessante por satisfação. No vício em jogos, vemos esse princípio atuando de forma distorcida: o sujeito tenta tamponar o vazio interno com a promessa de uma vitória que, mesmo quando ocorre, não basta. A aposta vira ritual, compulsão. Não se joga mais para ganhar, mas para não sentir o que está por trás do silêncio: solidão, frustração, insegurança, sensação de fracasso.

Lacan amplia esse olhar ao nos lembrar que o desejo é o desejo do Outro. Muitos entram nesse universo movidos por vídeos de influenciadores que "ganharam muito", por promessas de uma vida melhor ou até para provar valor dentro de suas relações. O jogo se torna então um palco simbólico onde o sujeito tenta sustentar uma imagem idealizada de si mesmo.

O tratamento psicanalítico, nesse contexto, não se propõe a julgar nem a oferecer fórmulas prontas. Ao contrário, ele oferece um espaço de escuta singular onde o sujeito pode elaborar as faltas, as repetições e os fantasmas que o levam a repetir comportamentos autodestrutivos. O objetivo não é "parar de jogar" apenas, mas entender por que se joga tanto, o que se busca, o que se evita, quem se tenta agradar.

Falar sobre o vício em jogos não é apenas discutir economia ou legislação. É tocar em uma ferida mais profunda, que envolve afetos, história, identidade. E a psicanálise, com sua escuta atenta e ética, pode ser uma aliada potente nesse caminho de elaboração e ressignificação.


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