sexta-feira, 25 de abril de 2025

Solidão na era digital: o silêncio psíquico por trás das redes sociais

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Solidão na era digital: o silêncio psíquico por trás das redes sociais


Solidão na era digital: o silêncio psíquico por trás das redes sociais

           Por Daniel Nascimento - Psicólogo CRP 03/32350.

Vivemos conectados o tempo todo. Basta um toque na tela para enviar mensagens, curtir fotos, assistir vídeos, fazer novas amizades. Nunca estivemos tão próximos — e, paradoxalmente, nunca nos sentimos tão sós. Como a psicanálise compreende esse fenômeno da solidão em plena era digital?

Nas redes sociais, o sujeito é convidado a construir uma imagem idealizada de si. A vida exibida em posts e stories é, muitas vezes, cuidadosamente editada, focando em momentos de sucesso, felicidade e realização. Esse movimento, no entanto, muitas vezes gera uma desconexão interna: o eu real, com suas fragilidades e angústias, é silenciado em nome de uma performance para o Outro.

Sigmund Freud já nos ensinava que o mal-estar na cultura é inevitável. A promessa de satisfação plena nunca se realiza. Em um ambiente digital, essa promessa é ainda mais intensa: tudo parece estar a um clique de distância, mas o que se obtém é, frequentemente, um vazio. Curtidas, comentários e visualizações aliviam momentaneamente o sentimento de solidão, mas logo perdem o efeito, exigindo mais exposição, mais interação, mais validação.

Jacques Lacan aprofunda essa análise ao afirmar que o desejo é o desejo do Outro. No universo das redes, buscamos ser desejados — ser vistos, reconhecidos, amados. Mas essa busca, muitas vezes, acarreta um efeito colateral: ao moldar nossa identidade para agradar o olhar do Outro, nos distanciamos de nossa verdade subjetiva.

A solidão contemporânea, portanto, não é apenas falta de companhia física, mas uma experiência de desamparo psíquico: uma desconexão de si mesmo. A sensação de estar rodeado de gente, mas ainda assim se sentir invisível, não é mera coincidência — é um sintoma.

A psicanálise oferece um espaço para resgatar a escuta interna, para reconhecer o que se esconde por trás da performance social. É na travessia desse silêncio psíquico que o sujeito pode, enfim, encontrar sua própria voz — não aquela que busca aprovação externa, mas aquela que se reconcilia com seu desejo mais íntimo.

Em tempos de hiperconexão, talvez o verdadeiro gesto revolucionário seja, justamente, pausar. Ouvir. Sentir. Permitir-se ser.


Psicólogo Daniel Nascimento CRP 03 32350


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