Por Daniel Nascimento – Psicólogo CRP 03 32350.
Vivemos conectados o tempo inteiro. Temos redes sociais cheias de contatos, notificações a cada instante e acesso imediato a tudo e a todos. Mas, paradoxalmente, nunca nos sentimos tão sozinhos. A era digital trouxe rapidez, mas também intensificou o vazio das relações superficiais.
A solidão contemporânea não é falta de gente por perto — é a ausência de vínculos verdadeiros. São conversas que não aprofundam, é a falta de escuta real, é o medo de se mostrar vulnerável num mundo que valoriza a performance e a imagem perfeita. Estamos cercados de telas, mas muitas vezes emocionalmente distantes.
Na clínica, percebo o quanto essa solidão silenciada adoece. Ela aparece disfarçada de ansiedade, insônia, baixa autoestima ou até mesmo depressão. E, muitas vezes, o sofrimento é agravado pela comparação constante com a vida “feliz” que vemos nas redes.
Precisamos resgatar o valor da presença. Olhar nos olhos, escutar com atenção, cultivar relações em que possamos ser quem somos, sem filtros. Isso também é saúde mental.
A tecnologia pode aproximar, sim — mas só se usada com consciência. Que possamos fazer pausas, olhar para dentro, e permitir que o silêncio nos reconecte com o que realmente importa: o afeto genuíno.

