sábado, 10 de maio de 2025

A solidão nos tempos digitais: cercados de telas, distantes de afetos

A solidão nos tempos digitais: cercados de telas, distantes de afetos por Daniel Nascimento psicólogo 03 32350


Por Daniel Nascimento – Psicólogo CRP 03 32350. 


Vivemos conectados o tempo inteiro. Temos redes sociais cheias de contatos, notificações a cada instante e acesso imediato a tudo e a todos. Mas, paradoxalmente, nunca nos sentimos tão sozinhos. A era digital trouxe rapidez, mas também intensificou o vazio das relações superficiais.


A solidão contemporânea não é falta de gente por perto — é a ausência de vínculos verdadeiros. São conversas que não aprofundam, é a falta de escuta real, é o medo de se mostrar vulnerável num mundo que valoriza a performance e a imagem perfeita. Estamos cercados de telas, mas muitas vezes emocionalmente distantes.


Na clínica, percebo o quanto essa solidão silenciada adoece. Ela aparece disfarçada de ansiedade, insônia, baixa autoestima ou até mesmo depressão. E, muitas vezes, o sofrimento é agravado pela comparação constante com a vida “feliz” que vemos nas redes.


Precisamos resgatar o valor da presença. Olhar nos olhos, escutar com atenção, cultivar relações em que possamos ser quem somos, sem filtros. Isso também é saúde mental.


A tecnologia pode aproximar, sim — mas só se usada com consciência. Que possamos fazer pausas, olhar para dentro, e permitir que o silêncio nos reconecte com o que realmente importa: o afeto genuíno.

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