Por Daniel Nascimento – Psicólogo CRP 03 32350
Ao longo da minha trajetória como psicólogo, ouvi com frequência relatos de pessoas que sentem culpa por pensarem nas mesmas coisas. A ideia de autocuidado ainda é, para muitos, associada ao egoísmo ou à fraqueza. Mas a verdade é que cuidar de si não é um luxo, muito menos vaidade. É uma necessidade real — e, em muitos casos, uma questão de sobrevivência.
Vivemos em uma sociedade que valoriza a produtividade acima de tudo. Ser forte, dar conta de tudo, não demonstrar cansaço ou vulnerabilidade se apresentar critérios quase invisíveis, mas muito presentes. E nessa lógica, o descanso vira “preguiça”, o limite é visto como “fracasso” e a pausa como “desperdício de tempo”.
Mas quem cuida demais dos outros e se esquece de si, adolescente. Já acompanhei muitos casos assim. Gente que vai se anulando aos poucos, abrindo mão de pequenos prazeres, ignorando sinais do corpo e da mente, até que o sofrimento se torne insustentável.
Autocuidar-se é, antes de tudo, um ato de reconhecimento. Eu percebi que você é importante. É respeitar o próprio tempo, alimentar-se de forma saudável, dormir bem, evitar relações abusivas, buscar apoio emocional quando necessário. Não se trata de egoísmo — trata-se de responsabilidade afetiva consigo mesmo.
É claro que o autocuidado não elimina os desafios da vida, mas ele nos fortalece para enfrentá-los. Ele cria um espaço interno de acolhimento, onde é possível ouvir com mais gentileza e lidar com a vida de forma mais consciente.
Se tem algo que eu sempre reforço em minha prática é: só conseguimos cuidar verdadeiramente do outro quando também cuidamos de nós. E isso não é egoísmo. É afeto. É saúde. É resistência.

