Por Daniel Nascimento Psicólogo CRP 03/32350
Vivemos em um tempo em que a vida parece caber em uma tela. As redes sociais transformaram-se em vitrines onde exibimos momentos escolhidos, muitas vezes cuidadosamente editados para transmitir um ideal. Mas será que o que vemos corresponde ao que é vivido?
Na psicologia, falamos sobre o self verdadeiro e o self falso. O verdadeiro é aquele que nasce da espontaneidade, da autenticidade, do que realmente sentimos e desejamos. Já o falso self é construído para atender expectativas externas, agradar e, muitas vezes, se proteger de julgamentos.
Quando passamos horas navegando em perfis que parecem perfeitos, corremos o risco de transformar nosso próprio ideal de vida em uma comparação constante. Surge o que chamamos de ideal idealizado – uma versão de nós mesmos que nunca é suficiente, porque sempre há alguém “melhor”, “mais bonito”, “mais bem-sucedido”. E, nesse jogo, nos afastamos do real: daquilo que somos, com nossas vulnerabilidades, imperfeições e também com nossas singularidades.
O convite, então, é para um exercício de mindfulness: observar sem julgar, estar presente, valorizar o que é verdadeiro. Quando conseguimos reconhecer a diferença entre o real e o ideal idealizado, damos espaço para um olhar mais compassivo sobre nós mesmos e sobre o outro.
Talvez o que falta não seja seguir mais perfis, mas nos seguir de verdade.
