sábado, 9 de agosto de 2025

Nos últimos anos, vemos um fenômeno preocupante: crianças vivendo e se comportando como pequenos adultos. Esse processo, chamado de adultização, vem acontecendo cada vez mais cedo, e a internet tem sido um dos principais catalisadores desse movimento



 

Adultização das crianças: perigos da internet e o papel dos pais


Por Daniel Nascimento – Psicólogo CRP03/32350.


Nos últimos anos, vemos um fenômeno preocupante: crianças vivendo e se comportando como pequenos adultos. Esse processo, chamado de adultização, vem acontecendo cada vez mais cedo, e a internet tem sido um dos principais catalisadores desse movimento.


A lógica das redes sociais e da exposição online coloca as crianças diante de conteúdos, linguagens e padrões de comportamento que não correspondem à sua fase de desenvolvimento. Elas passam a imitar poses, falas e estilos que são próprios do mundo adulto, mas sem ter estrutura emocional para lidar com as consequências disso.


A partir da perspectiva da psicanálise winnicottiana, entendemos que a infância é uma fase fundamental para a construção do verdadeiro self — aquele núcleo autêntico, formado na relação saudável com figuras cuidadoras. Quando uma criança é pressionada, de forma explícita ou sutil, a pular etapas para atender expectativas adultas, ela pode acabar desenvolvendo um falso self: uma máscara para se adaptar ao ambiente, mas que esconde fragilidades internas.


A internet, quando usada sem supervisão, acelera esse risco. É como colocar uma criança numa festa de adultos sem um responsável por perto: ela será exposta a conversas, imagens e valores que não consegue compreender, e poderá tentar reproduzir tudo isso para "pertencer".


Por isso, o papel dos pais e responsáveis é indispensável. Não se trata de proibir totalmente, mas de mediar. Estar presente significa acompanhar o que a criança consome, conversar sobre o que vê, explicar limites e, principalmente, oferecer um espaço seguro para que ela possa ser criança. Isso inclui tempo offline, brincadeiras, convivência familiar e um ambiente afetivo que permita experimentação sem pressões precoces.


Proteger a infância não é atraso, é cuidado. Cada fase da vida tem seu tempo — e respeitar esse tempo é dar à criança a chance de crescer com mais saúde emocional, fortalecendo seu verdadeiro self e evitando que se perca em um mundo que, muitas vezes, exige dela muito mais do que deveria.

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