Por Daniel Nascimento -Psicólogo CRP 03/32350.
Vivemos um tempo em que a imagem muitas vezes vale mais que a experiência, e as redes sociais se tornaram vitrines onde exibimos não apenas momentos, mas versões cuidadosamente editadas de nós mesmos. A teoria da representação social nos lembra que a forma como nos percebemos e como queremos ser percebidos é moldada pelo olhar coletivo — e, na contemporaneidade, esse olhar é amplificado a cada curtida, comentário e compartilhamento.
Nesse cenário, o “self ideal” — quem acreditamos que deveríamos ser — e o “self idealizado” — a persona que mostramos para atender expectativas sociais — ganham força. Muitas vezes, o “falso self” se sobrepõe ao verdadeiro, numa tentativa de encaixe, reconhecimento e validação. O preço disso é alto: distanciamento interno, ansiedade e a sensação constante de insuficiência.
O mindfulness surge como um antídoto para esse ciclo. Ao nos colocar no presente, com atenção plena e sem julgamento, ele nos ajuda a perceber quando estamos vivendo para sustentar uma imagem em vez de habitar a própria essência. Ele nos lembra que o “real” não precisa ser perfeito para ser valioso, e que a autenticidade, embora menos “instagramável”, é profundamente libertadora.
Na era das redes, praticar mindfulness é um ato de resistência. É escolher estar inteiro em vez de estar apenas visível. É cultivar um olhar gentil para si, capaz de integrar o que somos, o que sonhamos ser e o que mostramos ao mundo — sem perder de vista que, antes de qualquer filtro, somos humanos.
