sábado, 26 de abril de 2025

Afinal, o que é um ato falho? Entenda a linguagem do inconsciente no dia a dia

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Psiconterapia, psicoterapia,psicólogo Daniel Nascimento CRP 03/32350.


Por Daniel Nascimento - Psicólogo CRP 03/32350.

Você já trocou nomes sem querer, esqueceu um compromisso importante ou disse algo que “não queria dizer”? Esses pequenos deslizes são mais comuns do que parecem — e, na psicanálise, eles têm um nome: ato falho.

Mas o que é, afinal, um ato falho? E por que ele pode revelar mais sobre nós do que imaginamos?

Segundo Sigmund Freud, fundador da psicanálise, os atos falhos são manifestações do inconsciente. São “erros” que, na verdade, carregam desejos, conflitos internos ou sentimentos reprimidos que escapam à censura consciente. É como se uma parte de nós, oculta e silenciada, encontrasse brechas para se expressar, mesmo sem nossa intenção.

Trocar o nome do(a) parceiro(a) por um(a) ex, esquecer de entregar um trabalho importante ou errar uma palavra durante uma apresentação são exemplos clássicos. Cada ato falho carrega um significado particular e pode indicar tensões emocionais, desejos ambivalentes ou conflitos psíquicos ainda não resolvidos.

Ato falho é só distração?

Muitos tendem a justificar o ato falho como simples cansaço, distração ou “coisa da correria do dia a dia”. Embora fatores como estresse e fadiga possam facilitar a ocorrência desses deslizes, para a psicanálise, eles nunca são totalmente acidentais. Mesmo nos esquecimentos mais banais, há uma lógica inconsciente operando, uma intenção oculta que se infiltra na fala ou no comportamento.

Por que prestar atenção nos atos falhos?

Observar nossos atos falhos pode ser uma oportunidade poderosa de autoconhecimento. Eles funcionam como janelas para conteúdos inconscientes que, de outra forma, permaneceriam ocultos. Entender esses sinais é uma forma de entrar em contato com desejos, medos e sentimentos que moldam nossas escolhas sem que percebamos.

No processo psicanalítico, os atos falhos são tratados com seriedade: eles são analisados e interpretados como parte do enredo singular de cada sujeito, ajudando na construção de sentidos mais profundos sobre si mesmo.

Conclusão: o inconsciente fala — e nós escutamos?

No dia a dia, entre uma reunião e outra, entre conversas rápidas e promessas esquecidas, o inconsciente continua se manifestando. O ato falho, longe de ser apenas um erro engraçado, é um convite para uma escuta mais atenta de nós mesmos.

Reconhecer esses pequenos sinais é o primeiro passo para entender que, mesmo quando achamos que estamos no controle, há forças psíquicas atuando em nós. E a psicanálise está aqui para ajudar a desvelar essas tramas silenciosas.



Psicólogo Daniel Nascimento CRP 03 32350


sexta-feira, 25 de abril de 2025

Solidão na era digital: o silêncio psíquico por trás das redes sociais

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Solidão na era digital: o silêncio psíquico por trás das redes sociais


Solidão na era digital: o silêncio psíquico por trás das redes sociais

           Por Daniel Nascimento - Psicólogo CRP 03/32350.

Vivemos conectados o tempo todo. Basta um toque na tela para enviar mensagens, curtir fotos, assistir vídeos, fazer novas amizades. Nunca estivemos tão próximos — e, paradoxalmente, nunca nos sentimos tão sós. Como a psicanálise compreende esse fenômeno da solidão em plena era digital?

Nas redes sociais, o sujeito é convidado a construir uma imagem idealizada de si. A vida exibida em posts e stories é, muitas vezes, cuidadosamente editada, focando em momentos de sucesso, felicidade e realização. Esse movimento, no entanto, muitas vezes gera uma desconexão interna: o eu real, com suas fragilidades e angústias, é silenciado em nome de uma performance para o Outro.

Sigmund Freud já nos ensinava que o mal-estar na cultura é inevitável. A promessa de satisfação plena nunca se realiza. Em um ambiente digital, essa promessa é ainda mais intensa: tudo parece estar a um clique de distância, mas o que se obtém é, frequentemente, um vazio. Curtidas, comentários e visualizações aliviam momentaneamente o sentimento de solidão, mas logo perdem o efeito, exigindo mais exposição, mais interação, mais validação.

Jacques Lacan aprofunda essa análise ao afirmar que o desejo é o desejo do Outro. No universo das redes, buscamos ser desejados — ser vistos, reconhecidos, amados. Mas essa busca, muitas vezes, acarreta um efeito colateral: ao moldar nossa identidade para agradar o olhar do Outro, nos distanciamos de nossa verdade subjetiva.

A solidão contemporânea, portanto, não é apenas falta de companhia física, mas uma experiência de desamparo psíquico: uma desconexão de si mesmo. A sensação de estar rodeado de gente, mas ainda assim se sentir invisível, não é mera coincidência — é um sintoma.

A psicanálise oferece um espaço para resgatar a escuta interna, para reconhecer o que se esconde por trás da performance social. É na travessia desse silêncio psíquico que o sujeito pode, enfim, encontrar sua própria voz — não aquela que busca aprovação externa, mas aquela que se reconcilia com seu desejo mais íntimo.

Em tempos de hiperconexão, talvez o verdadeiro gesto revolucionário seja, justamente, pausar. Ouvir. Sentir. Permitir-se ser.


Psicólogo Daniel Nascimento CRP 03 32350


Por que repito sempre os mesmos erros? Um olhar psicanalítico sobre a repetição

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Por que repito sempre os mesmos erros? Psicólogo Daniel Nascimento CRP 03 32350



Por que repito sempre os mesmos erros?
Um olhar psicanalítico sobre a repetição

     Por Daniel Nascimento - Psicólogo CRP 03/32350

Você já se pegou dizendo a frase: "De novo, isso?" ou "Por que eu sempre caio nas mesmas armadilhas?" Seja no amor, no trabalho ou nas amizades, muitas pessoas vivem experiências que parecem se repetir como se estivessem presas em um ciclo sem fim. Mas o que a psicanálise tem a dizer sobre isso?

Sigmund Freud, o pai da psicanálise, nos apresenta o conceito de compulsão à repetição, uma tendência inconsciente de reviver situações dolorosas ou frustrantes, mesmo que de forma disfarçada. É como se o sujeito insistisse em refazer um roteiro antigo, na tentativa inconsciente de mudar o final — mesmo que isso quase nunca aconteça.

Na prática, isso pode aparecer de diversas formas: escolher parceiros(as) parecidos(as), entrar repetidamente em empregos que sufocam, manter amizades abusivas, sabotar projetos pessoais. A repetição, nesse contexto, não é apenas um erro: é um sintoma. Um sintoma que fala sobre desejos não reconhecidos, feridas não curadas e histórias que não foram simbolizadas.

Para a psicanálise, o sujeito não repete por acaso. Repete porque, de algum modo, algo insiste em retornar. Lacan complementa essa ideia ao dizer que há uma estrutura no sujeito que se organiza a partir da linguagem e que tende a girar em torno do mesmo ponto de gozo, ainda que isso traga sofrimento. Repetimos, muitas vezes, para sustentar uma identidade inconsciente, mesmo que ela nos aprisione.

A escuta analítica permite que o sujeito vá aos poucos reconhecendo esses roteiros repetitivos. Ao falar livremente, sem censura, ele pode se dar conta de padrões que antes pareciam apenas "azar" ou "falta de sorte". Com o tempo, a repetição deixa de ser destino e passa a ser matéria de elaboração.

Por isso, quando você se pergunta “por que repito sempre os mesmos erros?”, talvez seja a hora de mudar a pergunta para: O que essa repetição está tentando me dizer? E a psicanálise está aqui para escutar.


Psicólogo Daniel Nascimento CRP 03/32350


quinta-feira, 24 de abril de 2025

Psicanálise e o Vício em Jogos do Tigrinho: Quando a Recompensa Imediata Esconde um Vazio Maior

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Psicanálise e o Vício em Jogos do tigrinho: psicólogo Daniel Nascimento CRP 03/32350



Psicanálise e o Vício em Jogos do Tigrinho: Quando a Recompensa Imediata Esconde um Vazio Maior

           Por Daniel Nascimento - Psicólogo CRP 03/32350

Nas últimas semanas, o chamado "jogo do Tigrinho" — uma modalidade de apostas online que simula caça-níqueis — tem dominado manchetes e redes sociais. Com promessas de ganhos rápidos e constantes estímulos visuais e sonoros, esse tipo de jogo se torna extremamente atrativo. Mas o que está por trás dessa compulsão? Como a psicanálise pode nos ajudar a compreender esse comportamento?

A lógica do jogo do Tigrinho é simples: aposte pouco, ganhe muito. No entanto, o sujeito acaba entrando em um ciclo de tentativa e frustração, movido por um desejo de completude que nunca se realiza. O ganho momentâneo funciona como uma "injeção de gozo", mas logo se esgota, deixando em seu lugar uma angústia que clama por repetição.

Freud, ao estudar o princípio do prazer, já nos alertava sobre a busca incessante por satisfação. No vício em jogos, vemos esse princípio atuando de forma distorcida: o sujeito tenta tamponar o vazio interno com a promessa de uma vitória que, mesmo quando ocorre, não basta. A aposta vira ritual, compulsão. Não se joga mais para ganhar, mas para não sentir o que está por trás do silêncio: solidão, frustração, insegurança, sensação de fracasso.

Lacan amplia esse olhar ao nos lembrar que o desejo é o desejo do Outro. Muitos entram nesse universo movidos por vídeos de influenciadores que "ganharam muito", por promessas de uma vida melhor ou até para provar valor dentro de suas relações. O jogo se torna então um palco simbólico onde o sujeito tenta sustentar uma imagem idealizada de si mesmo.

O tratamento psicanalítico, nesse contexto, não se propõe a julgar nem a oferecer fórmulas prontas. Ao contrário, ele oferece um espaço de escuta singular onde o sujeito pode elaborar as faltas, as repetições e os fantasmas que o levam a repetir comportamentos autodestrutivos. O objetivo não é "parar de jogar" apenas, mas entender por que se joga tanto, o que se busca, o que se evita, quem se tenta agradar.

Falar sobre o vício em jogos não é apenas discutir economia ou legislação. É tocar em uma ferida mais profunda, que envolve afetos, história, identidade. E a psicanálise, com sua escuta atenta e ética, pode ser uma aliada potente nesse caminho de elaboração e ressignificação.


Psiconterapia


domingo, 20 de abril de 2025

Será Que Você Está em um Relacionamento Tóxico? Descubra os Sinais e Como a Psicoterapia Pode Ajudar

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Será Que Você Está em um Relacionamento Tóxico? Descubra os Sinais e Como a Psicoterapia Pode Ajudar

Relacionamento tóxico


Nem sempre é fácil perceber quando estamos vivendo um relacionamento tóxico. Muitas vezes, os sinais aparecem de forma sutil, silenciosa, e se camuflam sob a ideia de “amor intenso” ou “ciúme por cuidado”. Neste artigo, o psicólogo Daniel Nascimento explica como identificar os sinais de um relacionamento tóxico e por que a terapia pode ser fundamental nesse processo de reconhecimento e reconstrução emocional.

O que é um relacionamento tóxico?

Relacionamentos tóxicos são vínculos afetivos marcados por sofrimento constante, manipulação, controle, chantagens emocionais e perda da autonomia. Eles podem ocorrer em qualquer tipo de relação: amorosa, familiar, de amizade ou profissional.

A toxicidade emocional se instala quando uma das partes — ou ambas — exerce poder sobre o outro de forma abusiva, desrespeitosa ou desleal. Isso pode corroer a autoestima, gerar ansiedade, depressão e, em casos mais graves, evoluir para violência psicológica, física ou patrimonial.

Principais sinais de um relacionamento tóxico

  • Controle excessivo: o outro decide com quem você fala, onde vai, o que veste.
  • Ciúmes constantes: disfarçado de “preocupação” ou “amor verdadeiro”.
  • Isolamento social: você se afasta de amigos e familiares aos poucos.
  • Desvalorização: suas opiniões, sentimentos e conquistas são sempre minimizados.
  • Chantagem emocional: o outro usa culpa, medo ou pena para te manipular.
  • Instabilidade emocional: fases de carinho seguidas por explosões de raiva e desrespeito.

Por que é tão difícil sair de um relacionamento tóxico?

Muitas pessoas permanecem em relacionamentos tóxicos por medo da solidão, baixa autoestima, dependência emocional ou financeira, ou até mesmo por acreditarem que o outro “vai mudar”. Há também o ciclo do abuso, no qual momentos de tensão e agressão são seguidos por fases de “lua de mel”, criando uma falsa esperança de mudança.

Como a psicoterapia pode ajudar?

Reconhecer que se está em um relacionamento tóxico é o primeiro passo. A psicoterapia oferece um espaço seguro de escuta e acolhimento, permitindo que você compreenda suas emoções, recupere sua autoestima e desenvolva recursos para tomar decisões saudáveis.

O acompanhamento psicológico é essencial para romper com padrões abusivos, reconstruir a autonomia e aprender a estabelecer vínculos mais respeitosos e equilibrados no futuro.


Se você está se perguntando se está em um relacionamento tóxico, esse já pode ser um sinal. Cuide da sua saúde mental. Agende uma consulta com o psicólogo Daniel Nascimento e inicie uma jornada de autoconhecimento e libertação emocional.

Psiconterapia – um espaço para reconstruir sua história.




sábado, 19 de abril de 2025

Transtorno de Personalidade Narcisista: Entenda os Sinais e Como a Psicoterapia Pode Ajudar

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O Transtorno de Personalidade Narcisista (TPN) é uma condição psicológica que vem gan


Por Daniel Nascimento - psicólogo 


 O Transtorno de Personalidade Narcisista (TPN) é uma condição psicológica que vem ganhando cada vez mais visibilidade nas redes sociais e nas conversas do dia a dia. Mas afinal, o que é o narcisismo patológico e como identificá-lo? Neste artigo, o psicólogo Daniel Nascimento, especialista em saúde mental, explica os principais sintomas, causas e possibilidades de tratamento para esse transtorno. 

 O que é o Transtorno de Personalidade Narcisista?

Diferente de traços de vaidade ou autoestima elevada, o Transtorno de Personalidade Narcisista é uma condição clínica reconhecida pelo DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), caracterizada por um padrão duradouro de grandiosidade, necessidade excessiva de admiração e falta de empatia pelas outras pessoas. Pessoas com esse transtorno costumam superestimar suas habilidades, minimizar os sentimentos dos outros e ter dificuldades profundas em lidar com críticas. Ainda que, por fora, possam aparentar autoconfiança, muitas vezes escondem uma autoestima frágil e vulnerável.

Quais são os principais sintomas do narcisismo patológico? 


 Necessidade constante de admiração Sentimento de superioridade em relação aos outros Fantasias de sucesso ilimitado, beleza ou poder Exploração interpessoal para benefício próprio Dificuldade em reconhecer ou se importar com os sentimentos dos outros Comportamento arrogante ou altivo O impacto nas relações pessoais e profissionais As pessoas com transtorno narcisista podem ter relações marcadas por manipulação, instabilidade e rupturas frequentes. Em ambientes de trabalho, costumam buscar posições de poder e, muitas vezes, criam climas tóxicos pela dificuldade de trabalhar em equipe e receber feedbacks. O que causa o transtorno narcisista? As causas ainda são debatidas, mas envolvem fatores genéticos, traumas na infância, educação parental (como excesso de crítica ou supervalorização) e experiências precoces marcadas por negligência emocional.

Como é o tratamento do Transtorno de Personalidade Narcisista? 

 A psicoterapia é a principal forma de tratamento. Um acompanhamento terapêutico consistente pode ajudar a pessoa a desenvolver mais consciência emocional, empatia e habilidades de relacionamento. A psicanálise, por exemplo, busca acessar as camadas mais profundas da personalidade, investigando a origem dos comportamentos e promovendo mudanças duradouras.

  Quando procurar ajuda?

Se você se identifica com os sintomas ou convive com alguém que apresenta características semelhantes, buscar a ajuda de um profissional da psicologia é essencial. O diagnóstico e tratamento corretos podem promover qualidade de vida, autonomia emocional e relações mais saudáveis. 


Falso Self nas Redes Sociais: Quando a Busca por Aceitação Silencia o Verdadeiro Eu

psicoterapia





Por Daniel Nascimento – Psicólogo e Psicanalista


Vivemos em um tempo onde a exposição digital se tornou parte da rotina. Uma selfie aqui, uma frase de efeito ali, e a notificação de um like muitas vezes é interpretada como um sinal de aceitação. Mas será que estamos sendo autênticos ou apenas tentando agradar?


O psicanalista britânico Donald Winnicott nos oferece um conceito essencial para compreender essa dinâmica: o “falso self”. Trata-se de uma espécie de máscara emocional que construímos ao longo da vida para atender às expectativas do outro — seja da família, da sociedade ou, atualmente, das redes sociais.


A armadilha da performance digital


Nas redes, muitas pessoas se mostram constantemente felizes, produtivas, confiantes. Mas por trás dessa imagem idealizada, há, muitas vezes, um sujeito exausto, inseguro e solitário. Essa desconexão entre o que se sente e o que se mostra é o terreno fértil onde o falso self se desenvolve.


O problema é que, ao sustentar essa performance, perdemos o contato com o que Winnicott chamava de “verdadeiro self” — aquela parte espontânea, criativa e genuína que só floresce quando nos sentimos emocionalmente seguros e aceitos como somos.


A autenticidade como caminho de saúde mental


Romper com o falso self é um processo delicado, mas necessário. Exige coragem para se mostrar imperfeito, vulnerável e real — ainda que isso não gere curtidas ou aprovação imediata. Na psicanálise, essa jornada de retorno ao verdadeiro self é um dos caminhos mais profundos de reconexão consigo mesmo e de cuidado com a saúde mental.


A busca por pertencimento é legítima, mas ela não precisa custar a nossa essência.





Quer conversar sobre isso?

Entre em contato e agende uma escuta psicanalítica comigo.

Daniel Nascimento | Psicólogo Clínico | CRP 03/32350

Atendimento online e presencial.



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Se 

A adolescência : uma leitura winnicottiana da série da Netflix

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A adolescência : uma leitura winnicottiana da série da Netflix


Por Daniel Nascimento – Psicólogo

Lançada em 2025 pela Netflix, a série Adolescência tem chamado atenção por sua abordagem intensa e sensível das dores, conflitos e descobertas que marcam a fase juvenil. A produção acompanha um grupo de adolescentes de diferentes origens sociais, vivendo experiências de amor, perda, violência, exclusão e busca por pertencimento, em um cenário urbano que mistura escola, família e redes sociais. Com uma linguagem crua e, ao mesmo tempo, poética, a série não entrega respostas prontas — pelo contrário, expõe feridas abertas e convida o público a refletir sobre a saúde mental dos jovens no mundo contemporâneo.

Sob o olhar da psicanálise, especialmente à luz dos conceitos de Donald Winnicott, Adolescência revela-se um verdadeiro campo de observação sobre os processos de amadurecimento emocional e os impactos do ambiente no desenvolvimento da identidade. Para Winnicott, o adolescente precisa atravessar uma espécie de "colapso criativo" — um momento em que velhas referências deixam de fazer sentido e ainda não há estrutura interna suficiente para novas construções sólidas. Trata-se de uma travessia entre o conhecido da infância e o desconhecido da vida adulta.

Na série, vemos como essa travessia se torna ainda mais arriscada quando os jovens não encontram um "ambiente suficientemente bom" — expressão que Winnicott usava para descrever uma rede de cuidado e apoio que sustenta o crescimento emocional. Falta escuta, falta presença, falta espaço para errar sem ser punido. Em vez disso, há pais ausentes, instituições rígidas e um mundo digital onde a performance substitui a espontaneidade.

Os personagens de Adolescência encarnam o que Winnicott chamou de falso self: um modo de ser moldado para atender às expectativas externas, mesmo que isso custe a autenticidade e o contato com o verdadeiro self. São jovens que aparentam estar bem, que seguem as normas, mas que por dentro estão fragmentados, sozinhos, angustiados.

Mais do que uma obra de entretenimento, a série funciona como um espelho do nosso tempo — um tempo em que muitos adolescentes estão gritando silenciosamente por cuidado, pertencimento e espaço para existir sem máscaras. Winnicott nos lembra que a saúde emocional não nasce da perfeição, mas da possibilidade de ser acolhido em sua vulnerabilidade.

Como sociedade, e especialmente como profissionais da saúde mental, precisamos nos perguntar: estamos oferecendo esse ambiente suficientemente bom? Ou estamos contribuindo, mesmo que inconscientemente, para o colapso silencioso de uma geração?



Gaslighting em Relações Tóxicas: Como a DBT Pode Ajudar a Quebrar o Ciclo da Manipulação

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Por psicólogo Daniel Nascimento CRP 03/32350


Gaslighting é uma forma sutil, mas poderosa, de abuso emocional. Trata-se de um comportamento manipulativo em que a pessoa tenta distorcer a percepção da realidade do outro, levando-o a duvidar de seus sentimentos, memórias e até da sua sanidade. Frases como “Você está exagerando”, “Isso nunca aconteceu” ou “Você é muito sensível” são comuns nesse tipo de relação, e seu efeito pode ser devastador a longo prazo.

Em relações tóxicas, o gaslighting é usado para manter o controle e enfraquecer a autonomia emocional da vítima. Muitas pessoas que vivenciam esse tipo de manipulação relatam sentimentos de confusão constante, baixa autoestima, isolamento social e culpa. Não raro, começam a se questionar constantemente: “Será que sou eu o problema?”

É aqui que a Terapia Comportamental Dialética (DBT) pode oferecer um caminho de fortalecimento. Desenvolvida inicialmente para o tratamento de pessoas com transtornos emocionais graves, a DBT é, hoje, uma poderosa aliada na prevenção de relações abusivas por meio do desenvolvimento de quatro conjuntos de habilidades: mindfulness, regulação emocional, tolerância ao sofrimento e eficácia interpessoal.

O mindfulness, por exemplo, ajuda a pessoa a observar seus sentimentos e pensamentos com clareza, sem julgamento. Isso significa que ela aprende a confiar mais em sua percepção e intuição, reduzindo a dependência emocional do outro para validar o que sente.

A eficácia interpessoal, por sua vez, ensina estratégias para se posicionar com firmeza, fazer pedidos com clareza e impor limites saudáveis — tudo isso sem abrir mão do respeito próprio. Essa habilidade é crucial para quem vive ou já viveu uma relação marcada pelo gaslighting, pois permite romper com a dinâmica manipulativa e reconstruir vínculos baseados na reciprocidade e na transparência.

Além disso, ao desenvolver maior tolerância ao desconforto, o paciente aprende a lidar com a dor emocional sem precisar se submeter a relações disfuncionais por medo da solidão ou da rejeição.

Em resumo, a DBT não apenas ajuda a reconhecer os sinais do gaslighting, mas também fortalece a autoestima, a clareza emocional e a capacidade de dizer “não” quando necessário. Se você ou alguém próximo está vivendo uma relação em que a própria percepção é constantemente colocada em dúvida, a psicoterapia pode ser um divisor de águas. Ninguém merece viver aprisionado na dúvida sobre si mesmo. Fortalecer-se é o primeiro passo para se libertar.



quinta-feira, 17 de abril de 2025

Relacionamentos na Atualidade: Entre a Pressa e a Superficialidade, o Valor de se Conectar de Verdade

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Por psicólogo Daniel Nascimento CRP 03/32350.

  Vivemos em um tempo em que tudo é rápido: mensagens instantâneas, respostas automáticas, sentimentos confusos. As relações humanas, nesse cenário, acabam muitas vezes seguindo esse mesmo ritmo: intensas, mas passageiras; profundas na aparência, mas frágeis na essência. A importância de um bom relacionamento — seja amoroso, familiar, de amizade ou profissional — nunca foi tão discutida e, ao mesmo tempo, tão desafiadora de se manter. Do ponto de vista da DBT (Terapia Comportamental Dialética), um bom relacionamento não se constrói apenas com palavras bonitas ou camadas momentâneas. Ele exige habilidades: de escuta, de validação, de assertividade emocional e, acima de tudo, de regulação emocional. Muitas das dificuldades nos vínculos têm origem atual em comportamentos impulsivos, expectativas irais e baixa tolerância ao desconforto emocional. É nesse ponto que o mindfulness — ou atenção plena — surge como um recurso essencial. A prática constante do mindfulness nos ajuda a estar presentes nas interações, a observar nossos sentimentos e pensamentos sem julgá-los, e a escolher como agir diante de conflitos, sem reagir automaticamente. Quando escutamos alguém com atenção plena, estamos realmente ali. E quando nos percebemos emocionalmente ativados, conseguimos dar um passo para trás, respirar, e responder de forma mais sábia e respeitosa. A psicoterapia, nesse contexto, é um espaço de construção. Ela oferece ao paciente não apenas um local de escuta e acolhimento, mas também de treino de habilidades para melhorar a qualidade de seus relacionamentos. Na DBT, por exemplo, temos módulos específicos para as relações interpessoais, que ensinam desde como pedir algo de forma eficaz até como manter o autorrespeito diante de situações difíceis. Em resumo, cultivar bons relacionamentos é um processo ativo. Exige presença, escuta, empatia, limites e coragem para se vulnerabilizar. E embora isso não seja simples, é possível aprender — e a psicoterapia é uma grande aliada nesse caminho. Em um mundo onde tudo passa rápido, seja alguém que construa vínculos verdadeiros é um ato de resistência e, acima de tudo, de saúde emocional.

O Ideal, o Idealizado e o Real: Como as Redes Sociais Podem Adoecer Nossas Relações com Nós Mesmos

Abrimos o celular, rolamos a tela e, em poucos segundos, somos inundados por imagens de vidas que parecem perfeitas. Corpos esculpidos, v...