Por Daniel Nascimento - psicólogo e psicanalista crp 03 32350.
Vivemos em uma era de conexões instantâneas, onde uma mensagem atravessa continentes em segundos e os “stories” mostram mais do que palavras poderiam dizer. Ainda assim, nunca estivemos tão sozinhos. A solidão, hoje, não é a ausência do outro, mas a ausência de sentido nas relações.
Na última semana, as redes sociais foram inundadas com debates sobre a "liberdade de estar só" versus a necessidade de "pertencer a algo". Influenciadores romantizam a ideia de independência emocional, enquanto milhares desabafam em comentários sobre o vazio que sentem mesmo rodeados de pessoas. E isso nos faz pensar: será que estamos vivendo ou apenas sobrevivendo?
Como psicólogo e psicanalista, percebo diariamente em consultório o quanto essa solidão disfarçada de autonomia tem adoecido pessoas. São adultos que cresceram ouvindo que sentir é fraqueza, que amar demais é dependência e que vulnerabilidade é algo a esconder. Mas não é. Vulnerabilidade é o que nos torna humanos.
O problema não é estar só — o problema é não conseguir se escutar. É viver em modo automático, buscando validação em curtidas e esquecendo do principal: o contato com a própria verdade.
A psicanálise não oferece fórmulas prontas, mas nos convida a mergulhar nesse silêncio interno, a acolher o que dói, o que foi reprimido e até o que julgamos não merecer. E a partir desse encontro, reconstruir formas mais saudáveis de se relacionar com o outro — e consigo mesmo.
Se você se identificou com esse texto, respire fundo. Não está sozinho. Há caminhos, há escuta, há acolhimento. E mais do que tudo, há esperança.
🧠 Quer refletir mais sobre isso? No meu Instagram @psi_danielnascimento, compartilho diariamente conteúdos que falam de afeto, escuta e saúde mental. Te espero por lá.














