quarta-feira, 28 de maio de 2025

Solidão Moderna e a Falsa Liberdade: Por que estamos cada vez mais conectados e mais vazios?

Na última semana, as redes sociais foram inundadas com debates sobre a "liberdade de estar só" versus a necessidade de "pertencer a algo". Influenciadores romantizam a ideia de independência emocional, enquanto





Solidão Moderna e a Falsa Liberdade:


Por Daniel Nascimento -  psicólogo e psicanalista crp 03 32350. 

Vivemos em uma era de conexões instantâneas, onde uma mensagem atravessa continentes em segundos e os “stories” mostram mais do que palavras poderiam dizer. Ainda assim, nunca estivemos tão sozinhos. A solidão, hoje, não é a ausência do outro, mas a ausência de sentido nas relações.


Na última semana, as redes sociais foram inundadas com debates sobre a "liberdade de estar só" versus a necessidade de "pertencer a algo". Influenciadores romantizam a ideia de independência emocional, enquanto milhares desabafam em comentários sobre o vazio que sentem mesmo rodeados de pessoas. E isso nos faz pensar: será que estamos vivendo ou apenas sobrevivendo?


Como psicólogo e psicanalista, percebo diariamente em consultório o quanto essa solidão disfarçada de autonomia tem adoecido pessoas. São adultos que cresceram ouvindo que sentir é fraqueza, que amar demais é dependência e que vulnerabilidade é algo a esconder. Mas não é. Vulnerabilidade é o que nos torna humanos.


O problema não é estar só — o problema é não conseguir se escutar. É viver em modo automático, buscando validação em curtidas e esquecendo do principal: o contato com a própria verdade.


A psicanálise não oferece fórmulas prontas, mas nos convida a mergulhar nesse silêncio interno, a acolher o que dói, o que foi reprimido e até o que julgamos não merecer. E a partir desse encontro, reconstruir formas mais saudáveis de se relacionar com o outro — e consigo mesmo.


Se você se identificou com esse texto, respire fundo. Não está sozinho. Há caminhos, há escuta, há acolhimento. E mais do que tudo, há esperança.






🧠 Quer refletir mais sobre isso? No meu Instagram @psi_danielnascimento, compartilho diariamente conteúdos que falam de afeto, escuta e saúde mental. Te espero por lá.



terça-feira, 27 de maio de 2025

A Polêmica Castração de Freud: Mito, Metáfora ou Verdade Psíquica?

Freud”? A palavra assusta, incomoda e até causa certo riso nervoso em quem ouve pela primeira vez. Mas será que Freud falava mesmo de mutilação física? Ou será que por trás dessa polêmica existe algo muito mais profundo e revelador sobre quem somos?



 

A Polêmica Castração de Freud: Mito, Metáfora ou Verdade Psíquica?

Por Daniel Nascimento - psicólogo CRP 03 32350.

Você já ouviu falar na “castração de Freud”? A palavra assusta, incomoda e até causa certo riso nervoso em quem ouve pela primeira vez. Mas será que Freud falava mesmo de mutilação física? Ou será que por trás dessa polêmica existe algo muito mais profundo e revelador sobre quem somos?


O que Freud quis dizer com “castração”?


Antes de mais nada, precisamos fazer uma distinção: castração, na psicanálise, não é uma cirurgia, é uma ideia. É uma representação simbólica da perda — da impossibilidade de ter tudo, de ser tudo, de satisfazer todos os desejos.



Afinal, o que uma criança aprende quando percebe que não pode dormir com a mãe ou que o pai tem outros interesses além dela?


É nesse ponto que nasce o conceito de castração: o momento em que o sujeito se depara com um limite. Um "não" que vem de fora — da cultura, da linguagem, da moral.


A castração é só para meninos?


Outro erro comum é pensar que só os meninos "sofrem" com essa castração. Na verdade, Freud apresenta o Complexo de Castração como um processo que atravessa tanto meninos quanto meninas, mas de formas diferentes. É nesse momento que o sujeito se insere de vez na cultura, na lei, na ordem simbólica — perdendo algo, mas ganhando lugar no mundo.


E é aí que entra a grande pergunta: será que é possível viver sem essa perda? Sem esse corte simbólico?


Spoiler: Não. Mas o modo como lidamos com essa castração determina muito da nossa saúde psíquica.


Por que isso ainda incomoda tanta gente?


Porque tocar no tema da castração é tocar no nosso ego, no nosso desejo de sermos completos, invulneráveis, perfeitos. A castração nos lembra que não somos deuses. Que há falhas, faltas e limites — e isso pode ser libertador ou paralisante, dependendo do nosso nível de elaboração psíquica.



Quantas vezes você já se viu repetindo padrões destrutivos, buscando no outro algo que parece sempre faltar em você?


Castração: punição ou possibilidade?


Ao contrário do que muitos pensam, a castração não é castigo, mas abertura. Abertura para o desejo, para a criatividade, para a ética. Só quem reconhece sua falta pode desejar de verdade. E só quem deseja pode viver plenamente.


A tal “castração de Freud” não é uma polêmica banal. É um convite. Um chamado à maturidade psíquica. Um lembrete de que crescer dói, mas também liberta.

Você está disposto a encarar sua falta? Ou vai seguir vivendo atrás de fantasias de completude?


Se esse texto te provocou, te inquietou ou te ajudou a enxergar algo novo, compartilhe com alguém. Afinal, o inconsciente é coletivo, mas a coragem de olhar para dentro é individual.


domingo, 18 de maio de 2025

Mães de Bebês Reborn: Uma Escuta que Vai Além do Julgamento

Em uma sociedade que valoriza a produtividade, a objetividade e o que é "útil" aos olhos externos, experiências emocionais mais delicadas muitas vezes são negligenciadas — ou pior, ridicularizadas. Entre essas experiências, está o vínculo que algumas





Mães de Bebês Reborn uma escuta que vaia além do Julgamento


 Mães de Bebês Reborn: Uma Escuta que Vai Além do Julgamento

Por Daniel Nascimento psicólogo e psicanalista crp 03 32350.

Em uma sociedade que valoriza a produtividade, a objetividade e o que é "útil" aos olhos externos, experiências emocionais mais delicadas muitas vezes são negligenciadas — ou pior, ridicularizadas. Entre essas experiências, está o vínculo que algumas mulheres desenvolvem com os chamados bebês reborn — bonecos hiper-realistas que reproduzem com detalhes a aparência de um recém-nascido.


Para quem observa de fora, pode parecer apenas uma excentricidade ou um hobby. No entanto, para muitas mulheres, especialmente mães enlutadas, mulheres em sofrimento psíquico ou em busca de um espaço afetivo para acolher suas dores, esses bebês representam mais do que objetos — são símbolos de perdas, afetos, reparações emocionais e até mesmo reorganizações internas. É nesse contexto que a psicoterapia se apresenta não como um espaço de julgamento, mas como um lugar de acolhimento, escuta e elaboração. A mulher que encontra conforto, sentido ou expressão emocional por meio do cuidado com um bebê reborn merece ser escutada com a mesma seriedade e respeito que qualquer outro sujeito em sofrimento psíquico.


Muitas vezes, essas mulheres enfrentam críticas da sociedade, de familiares ou até mesmo do sistema de saúde, sendo rotuladas como frágeis, infantis ou "fora da realidade". No entanto, o trabalho psicoterapêutico reconhece que o sofrimento não precisa ser validado por parâmetros externos para ser legítimo. O que importa é o que aquela experiência representa para aquela pessoa, naquele momento de sua vida.


Ao longo do processo terapêutico, é possível compreender as camadas mais profundas dessa relação: a dor de uma perda gestacional, a solidão da maternidade, a ausência de acolhimento afetivo na infância, ou até mesmo o desejo de construir uma narrativa reparadora sobre si mesma. Tudo isso pode emergir nas sessões, sempre sob o olhar respeitoso e ético do profissional de saúde mental. Por isso, mais do que tratar a mulher que cuida de um bebê reborn como uma “paciente curiosa”, é preciso enxergá-la como uma mulher em processo, que busca sentido, cuidado e escuta em um mundo que muitas vezes silencia. A psicoterapia, nesse caso, é uma ponte entre o simbólico e o real — entre a dor e a possibilidade de reconstrução.


Que possamos como sociedade ampliar nosso olhar e, como profissionais da saúde mental, continuar a oferecer escuta genuína e livre de preconceitos. Afinal, cuidar da saúde emocional é, acima de tudo, um ato de humanidade.


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sexta-feira, 16 de maio de 2025

O mundo adoece quando tudo vira doença: a patologização da vida e o silêncio técnico dos profissionais da saúde

Vivemos um tempo em que tudo parece ter nome, código e diagnóstico. A tristeza é rapidamente confundida com depressão, a timidez vira fobia social, a inquietação se chama TDAH, e a dificuldade de se adaptar à dureza da realidade é rotulada como transtorno. O fenômeno da patologização da




O mundo adoece quando tudo vira doença: a patologização da vida e o silêncio técnico dos profissionais da saúde Por Daniel Nascimento, psicólogo e psicanalista crp 03 32350


O mundo adoece quando tudo vira doença: a patologização da vida e o silêncio técnico dos profissionais da saúde
Por Daniel Nascimento, psicólogo e psicanalista

Vivemos um tempo em que tudo parece ter nome, código e diagnóstico. A tristeza é rapidamente confundida com depressão, a timidez vira fobia social, a inquietação se chama TDAH, e a dificuldade de se adaptar à dureza da realidade é rotulada como transtorno. O fenômeno da patologização da vida cotidiana está cada vez mais evidente — e alarmante.

É claro que os transtornos mentais existem e merecem atenção e cuidado. Mas o problema começa quando experiências humanas comuns são enquadradas como doenças sem uma escuta cuidadosa e sem a devida consideração pelas singularidades de cada sujeito. Transformar sentimentos naturais em diagnósticos prontos cria uma cultura de medicalização excessiva, de silenciamento da dor e de distanciamento da responsabilidade subjetiva.

Ao lado disso, assistimos a um segundo fenômeno tão preocupante quanto o primeiro: a crescente incapacidade de muitos profissionais da saúde em se comunicarem de forma clara com a população. Um vocabulário hermético, cheio de termos técnicos, que mais confunde do que orienta, tem dominado o discurso clínico. Enquanto o sofrimento se amplia, a escuta se torna cada vez mais rarefeita — substituída por protocolos, escalas e fórmulas prontas.

Essa combinação entre a patologização da vida e a falta de comunicação acessível está gerando um efeito perverso: mais pessoas adoecidas, mais confusão sobre o que estão vivendo e menos acesso a espaços de elaboração e cuidado genuíno.

Como psicanalista, defendo a importância da escuta singular. Cada sujeito carrega sua história, sua dor e sua forma única de lidar com o mundo. Não somos feitos para caber em rótulos, muito menos para sermos silenciados por discursos que, ao invés de acolher, afastam.

É urgente resgatar a linguagem humana no cuidado em saúde mental. É urgente que profissionais saiam das bolhas técnicas e dialoguem com a sociedade de forma empática, ética e clara. Não para banalizar os saberes, mas para devolver às pessoas a chance de se reconhecerem — para além dos diagnósticos — como sujeitos.

A psicanálise nos ensina que o sintoma fala, e que escutá-lo é mais potente do que rotulá-lo. Escutar é o primeiro passo para cuidar. E talvez seja justamente isso que esteja faltando hoje: escuta.


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sábado, 10 de maio de 2025

A solidão nos tempos digitais: cercados de telas, distantes de afetos

A solidão nos tempos digitais: cercados de telas, distantes de afetos por Daniel Nascimento psicólogo 03 32350


Por Daniel Nascimento – Psicólogo CRP 03 32350. 


Vivemos conectados o tempo inteiro. Temos redes sociais cheias de contatos, notificações a cada instante e acesso imediato a tudo e a todos. Mas, paradoxalmente, nunca nos sentimos tão sozinhos. A era digital trouxe rapidez, mas também intensificou o vazio das relações superficiais.


A solidão contemporânea não é falta de gente por perto — é a ausência de vínculos verdadeiros. São conversas que não aprofundam, é a falta de escuta real, é o medo de se mostrar vulnerável num mundo que valoriza a performance e a imagem perfeita. Estamos cercados de telas, mas muitas vezes emocionalmente distantes.


Na clínica, percebo o quanto essa solidão silenciada adoece. Ela aparece disfarçada de ansiedade, insônia, baixa autoestima ou até mesmo depressão. E, muitas vezes, o sofrimento é agravado pela comparação constante com a vida “feliz” que vemos nas redes.


Precisamos resgatar o valor da presença. Olhar nos olhos, escutar com atenção, cultivar relações em que possamos ser quem somos, sem filtros. Isso também é saúde mental.


A tecnologia pode aproximar, sim — mas só se usada com consciência. Que possamos fazer pausas, olhar para dentro, e permitir que o silêncio nos reconecte com o que realmente importa: o afeto genuíno.

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Autocuidado não é egoísmo: é sobrevivência

Autocuidado não é egoísmo: é sobrevivência por Daniel Nascimento psicólogo crp 03 32350


Por Daniel Nascimento – Psicólogo CRP 03 32350 


Ao longo da minha trajetória como psicólogo, ouvi com frequência relatos de pessoas que sentem culpa por pensarem nas mesmas coisas. A ideia de autocuidado ainda é, para muitos, associada ao egoísmo ou à fraqueza. Mas a verdade é que cuidar de si não é um luxo, muito menos vaidade. É uma necessidade real — e, em muitos casos, uma questão de sobrevivência.


Vivemos em uma sociedade que valoriza a produtividade acima de tudo. Ser forte, dar conta de tudo, não demonstrar cansaço ou vulnerabilidade se apresentar critérios quase invisíveis, mas muito presentes. E nessa lógica, o descanso vira “preguiça”, o limite é visto como “fracasso” e a pausa como “desperdício de tempo”.


Mas quem cuida demais dos outros e se esquece de si, adolescente. Já acompanhei muitos casos assim. Gente que vai se anulando aos poucos, abrindo mão de pequenos prazeres, ignorando sinais do corpo e da mente, até que o sofrimento se torne insustentável.


Autocuidar-se é, antes de tudo, um ato de reconhecimento. Eu percebi que você é importante. É respeitar o próprio tempo, alimentar-se de forma saudável, dormir bem, evitar relações abusivas, buscar apoio emocional quando necessário. Não se trata de egoísmo — trata-se de responsabilidade afetiva consigo mesmo.


É claro que o autocuidado não elimina os desafios da vida, mas ele nos fortalece para enfrentá-los. Ele cria um espaço interno de acolhimento, onde é possível ouvir com mais gentileza e lidar com a vida de forma mais consciente.


Se tem algo que eu sempre reforço em minha prática é: só conseguimos cuidar verdadeiramente do outro quando também cuidamos de nós. E isso não é egoísmo. É afeto. É saúde. É resistência.

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quarta-feira, 7 de maio de 2025

Luto: Quando a Ausência se Torna Presença

O luto é uma experiência universal e, ao mesmo tempo, absolutamente singular. Todos nós, em algum momento da vida, seremos atravessados por perdas – sejam elas de pessoas queridas, de relacionamentos, de sonhos ou até mesmo de fases importantes. No entanto



Luto: Quando a Ausência se Torna Presença por Psicólogo Daniel Nascimento crp 03 32350


Por Daniel Nascimento – Psicólogo | Psicanalista | @psi_danielnascimento

O luto é uma experiência universal e, ao mesmo tempo, absolutamente singular. Todos nós, em algum momento da vida, seremos atravessados por perdas – sejam elas de pessoas queridas, de relacionamentos, de sonhos ou até mesmo de fases importantes. No entanto, cada sujeito lida com o luto de uma forma muito própria, marcada por sua história, estrutura psíquica e pelas relações inconscientes que carrega.

Na psicanálise, o luto é compreendido como um processo necessário e inevitável diante da perda de um objeto amado. Sigmund Freud, em seu texto clássico Luto e Melancolia (1917), diferencia o luto saudável da melancolia patológica. Enquanto no luto o sujeito reconhece a perda e, com o tempo, elabora essa ausência, na melancolia há uma identificação inconsciente com o objeto perdido, gerando culpa, desvalia e sofrimento profundo.

Luto é trabalho psíquico

Freud afirma que o luto exige um “trabalho” — um movimento interno de desprendimento dos investimentos libidinais feitos naquele objeto que se foi. Em outras palavras, o enlutado precisa, aos poucos, retirar a energia psíquica que havia colocado naquela pessoa ou experiência, para então poder reinvesti-la em outros vínculos, em outras vivências. Esse processo, porém, não tem prazo fixo. Cada sujeito tem seu tempo. O sofrimento não deve ser apressado, tampouco patologizado.

O silêncio da falta e a escuta possível

Muitas vezes, quem está de luto se vê rodeado por frases como “seja forte”, “você precisa seguir em frente” ou “Deus sabe o que faz”. Ainda que bem-intencionadas, essas expressões tendem a silenciar a dor legítima da perda. O enlutado precisa, antes de tudo, ser escutado — não julgado, não apressado, não empurrado. A clínica psicanalítica oferece esse lugar de escuta, onde a dor pode ser nomeada, os afetos trabalhados, e a ausência transformada em memória viva.

Quando o luto se complica

Há situações em que o luto não consegue seguir seu curso. Isso ocorre, por exemplo, quando há mortes abruptas, não simbolizadas, acompanhadas de traumas ou culpas intensas. Nessas situações, a ausência vira peso, o tempo parece congelado, e o sujeito permanece preso à dor. É aqui que a psicanálise também atua, ajudando o paciente a dar sentido à experiência, a desatar os nós inconscientes e a possibilitar, pouco a pouco, a retomada da vida.

Luto e renascimento

Elaborar um luto não é esquecer, nem substituir. É lembrar sem sangrar. É carregar a ausência como parte da história, e não como prisão. Na escuta psicanalítica, o que se busca não é eliminar a dor, mas dar-lhe um lugar simbólico. Porque é apenas quando reconhecemos o luto como parte da existência que podemos também reconhecer o amor que nos foi tirado — e isso, por si só, já é uma forma de renascer.






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sexta-feira, 2 de maio de 2025

A lógica eugenista por trás das campanhas de aborto: uma crítica necessária

Como homem negro, psicólogo e pesquisador em formação na área de biotecnologia, tenho refletido profundamente sobre o avanço silencioso de uma lógica que, disfarçada de progresso e liberdade, perpetua estruturas de exclusão social e racial. Refiro-me às campanhas de l
A lógica eugenista por trás das campanhas de aborto: uma crítica necessária feita pelo psicólogo Daniel Nascimento CRP 03/32350



A lógica eugenista por trás das campanhas de aborto: uma crítica necessária
Por Daniel Nascimento – Psicólogo Psicanalista, Formação Técnica em Nutrição e Dietética, estudante de Biotecnologia (UFBA)

Como homem negro, psicólogo e pesquisador em formação na área de biotecnologia, tenho refletido profundamente sobre o avanço silencioso de uma lógica que, disfarçada de progresso e liberdade, perpetua estruturas de exclusão social e racial. Refiro-me às campanhas de legalização ampla e irrestrita do aborto, muitas vezes vendidas como um direito feminino, mas que, ao analisarmos com mais rigor histórico, científico e ético, revelam nuances eugenistas preocupantes.

A eugenia, lembramos, foi uma ideologia racista que ganhou força no século XX, promovendo a ideia de "melhorar" geneticamente a população por meio do controle reprodutivo, sobretudo de pobres, negros, deficientes e outros grupos considerados "indesejáveis". Essa prática não desapareceu — apenas mudou de roupa. Hoje, quando se defende o aborto como solução para a pobreza, para deficiências genéticas, ou como alternativa para mães jovens em comunidades periféricas, reforça-se a mesma lógica: a de que certas vidas são menos dignas de nascer.

A psicologia nos ensina que o valor da vida não está apenas nas condições externas que a cercam, mas na capacidade de transformar a dor em resistência, e a história da população negra brasileira é a maior prova disso. Quando se propaga a ideia de que crianças em situação de vulnerabilidade nascerão “para sofrer” e por isso devem ser abortadas, está se reafirmando, ainda que veladamente, um pacto com a eliminação do outro, não com sua proteção.

Como técnico em nutrição, por formação, e graduando de biotecnologia, também enxergo o risco bioético envolvido em campanhas que naturalizam o descarte de vidas em formação, como se fossem produtos defeituosos de um sistema reprodutivo. A biotecnologia caminha para avanços incríveis no cuidado e prevenção de doenças, mas não pode ser usada como instrumento para selecionar quem deve ou não viver.

Ser pró-vida não é ser contra as mulheres — é ser contra um sistema que oferece o aborto como única resposta para a falta de políticas públicas de acolhimento, educação sexual, saúde mental, rede de apoio e justiça social. Defender a vida desde a concepção é, para mim, uma forma de resistência negra, ética e humanista contra o avanço de uma cultura de descarte.

O debate precisa ir além dos slogans e se aprofundar nas consequências sociais, éticas e históricas das escolhas que fazemos como sociedade. Nem toda campanha é libertadora — algumas apenas maquiam antigas formas de opressão com discursos modernos. Precisamos estar atentos.






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quinta-feira, 1 de maio de 2025

Saúde Mental no Trabalho: um compromisso de todos

psicologo_Daniel_Nascimento_CRP_03/32350



Por Daniel Nascimento - Psicólogo CRP 03/32350

Falar sobre saúde mental no ambiente de trabalho é reconhecer que o bem-estar emocional dos trabalhadores influencia diretamente na produtividade, nas relações interpessoais e na qualidade de vida. Em um cenário cada vez mais exigente, competitivo e marcado por incertezas, cuidar da mente deixou de ser um luxo e passou a ser uma necessidade.


Jornadas excessivas, metas inalcançáveis, assédio moral e ambientes tóxicos são alguns dos fatores que comprometem a saúde psicológica dos colaboradores. Ansiedade, depressão, burnout e outras doenças emocionais têm se tornado comuns nos relatos clínicos, impactando tanto o desempenho profissional quanto a vida pessoal.


Por outro lado, empresas que priorizam a saúde mental colhem frutos como maior engajamento, menos afastamentos e um clima organizacional mais saudável. Isso inclui oferecer espaços de escuta, garantir pausas adequadas, promover ações de bem-estar e incentivar o autocuidado. O investimento em saúde mental não deve ser visto como custo, mas como estratégia.


É fundamental também que cada trabalhador aprenda a reconhecer seus limites, valorize seu tempo de descanso e busque apoio profissional sempre que necessário. O equilíbrio entre vida pessoal e profissional é um direito, não um privilégio.


A promoção da saúde mental no trabalho é uma via de mão dupla. Exige responsabilidade das instituições, mas também consciência dos indivíduos. É hora de normalizar o cuidado psicológico e romper o silêncio que ainda existe sobre o sofrimento psíquico no mundo corporativo.

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O Ideal, o Idealizado e o Real: Como as Redes Sociais Podem Adoecer Nossas Relações com Nós Mesmos

Abrimos o celular, rolamos a tela e, em poucos segundos, somos inundados por imagens de vidas que parecem perfeitas. Corpos esculpidos, v...